03 julho 2024

A escrita cura?


As vezes me sinto muito pra baixo. É como se meu cérebro funcionasse diferente do de outras pessoas. 

É como que, sem motivo psicológico, ele apenas tivesse um funcionamento químico diferente que alterasse toda a ordem das coisas. 

É ai que vem a vontade de escrever, colocar pra fora. 


Com certo custo consegui resgatar a senha desse diário digital. 

Quem sabe esse seja o recomeço do desabafo escrito. Quem sabe sai alguma coisa de bom. 


Quem sabe. 

20 setembro 2017

É só que ele tem um jeito muito estranho de demonstrar que gosta.

Talvez ele não sabia fazer isso direito, talvez ele nem saiba como amar, ou muito menos sabe que ama. Mas sabe que sente. Só não sabe se é amor. E citando dois livros que já li “ cada um sente o que sente” e  “ cada um aceita o amor que acha que merece”.  Não precisa ser letrado ou literário pra amar. Só precisa ser você, um ser único, especial a sua maneia. Com tantos defeitos que são qualidades aos olhos dela. Não precisa agradar aos outros, não precisa ser perfeito, só precisa saber viver o momento, na sua leveza, sem preocupações. 
Não precisa ter medo de machuca-la com sua força física porque  ela parece ser  tão delicada... mas por dentro é tao forte... ela aguenta. Só é preciso dar valor, fazer por merecer o sentimento dela. Se não ela pode não se sentir amada...
Ele tem tanto medo de assusta-la... caso confesse o que sente. Mas ela que o assusta na verdade. Assusta porque tem medo de perder o domínio sobre os próprios sentimos. E que mal tem perder o controle sobre si mesmo? Pecado mesmo não é se perder, mas perder o outro... e um momento de besteira, enquanto se pisca o olho e faz uma piadinha, ao olhar em volta novamente, não está mais lá. Se foi... a vida levou. Então surge dilemas internos sobre “porque eu não cuidei melhor”... pois é amigo, na vida tudo passa, e rápido demais. Então temos que ser presentes, mesmo que impossível fisicamente, mas que seja no coração então.
Mas pra vc estar lá, precisa querer, precisa acreditar que aquele espaço é seu... se não o outro vai se sentir sempre vazio. E o vazio só tem lugar no estomago, para as borboletas voarem quando os olhos dos dois se tocarem.
Ela só tenta entender o mundo demais... saber da verdade a qualquer custo. Ele tenta evitar acha que assim cause menos problemas... no fim, ele só sente dificuldade de le-la, e ela, sente-se confusa com ele. É só que ela pensa tanto, tanto na índole das pessoas, na real intenção delas... que acaba por esquecer que pode haver pessoas boas, bem intencionadas.

Ela nem mesmo sabe, se todo aquele sentimento que ele tem é pra ela....  Talvez ele só tenha  um jeito estranho de demonstrar. 

Texto perdido em meio a arquivos

Não quero escrever uma cronica estilo Pedro Bial, que fala como todos nós somos campeões ou como devemos viver a vida. Venho só lançar no papel palavras que pode, ou não, fazer sentido. Vai depender do seu espirito, do seu humor, e não tenho intenção alguma em tocar todas as pessoas, mas tocar apenas aquelas que buscam ouvir exatamente isso. Alguns vao se identificar, outros não, portanto podem seguir a própria vida, o fluxo normal sem nunca ter passado os olhos por essas palavras...
Ainda haverá aqueles que vão se fixar nessas palavras, parágrafos ou em apenas uma frase. Venho falar de tudo, ou de nada, ou de algo especifico. Venho falar de você, de mim, de um amor que passou ou, talvez, um que ainda não veio. Aquele que você ainda não encontrou, que você procura e que vai trata-lo bem para que não se assuste quando comecar a descobrir os seus segredos.
O fato é que o mundo gira, em uma velocidade imensa, que nos deixam tontos e as vezes coisas acontecem sem que nós percebemos e quando nos damos conta já passou.  Nascemos, crescemos, fazemos historia, marcamos gerações, mas apesar de fazer parte de uma massa, cada um é único com suas especifidades, qualidades e autenticidade. Fato é, que nascemos todos como folhas em branco que serão marcadas, desenhadas, rabiscadas com as próprias experiências. Em uma vida inteira, milhões de imagens que podem se repetir e passar como um filme em nossa mente durante apenas um segundo antes da morte... e o que vem depois? Ninguém sabe, não existe a volta do depois, afinal ninguém pode voltar a ser o que era antes... circunstancias nos marcam e somos o que vimos o que vivemos e o que pensamos. Dias, noites, sol, chuva, segundos se vao... e o que fica? Não dá pra saber, o homem sempre tentou mas nunca conseguiu definir o tempo e o amor. Esse é a prova do quanto somos pequenos, apenas do tamanho de um átomo perante a complexidade e infinitude de um universo com milhões de galáxias... quem eu sou, pra onde vou ou de onde vim, são perguntas que nunca, nunca vao ter respostas universais. Apesar da imensidão e de tudo estar interligado, somos particulares demais pra criar formulas, como na matemática, que valem para todos nós no que se refere ao amor.
Somos grandes e pequenos ao mesmo tempo, variando apenas a perscpetiva . afinal, a única definição que se pode fazer é que o mundo, incluindo o ser humano é a guerra dos contrários, unidos para compor toda essa beleza infinita. Falei tudo, ou nada ao mesmo tempo.

Esse sou eu, esse é você, esses todos somos o nós. 

09 julho 2017

Terapia

Ao entrar no consultório para sua segunda sessão com o terapeuta, Dayse sentou-se na poltrona confortável, florida e com um fundo bege claro, quase mude. Ficou ali, sentada na poltrona por alguns minutos, afundada em sua maciez, sem falar nada.
Sabia tudo o que sentia, tinha vontade de mudar é claro, mas sequer sabia como. Talvez era por isso que estava ali... para descobrir um caminho. 
Sentia-se murcha. Trinta e poucos anos e quase sonho nenhum restando. “Será que já tinha realizado tudo que queria na vida?”
Já dizia um filósofo, não se lembrava qual no momento, que a finalidade do homem era a felicidade. E a felicidade era sempre estar em busca de algo. Se ela não sentia mais entusiasmos para correr atrás de mais nada será que era feliz? 
Respirou, desanimada. Nem mesmo a sua respiração era profunda. Sua vida não passava de sensações rasas, sentia. 
Pensava tudo isso, sentada de frente ao terapeuta, mas as palavras simplesmente não conseguiam achar o caminho até a boca. 
Ele permaneceu ali, olhando-a. Talvez para dar-lhe a chance de começar primeiro, com qualquer coisa que sentisse vontade de falar. Ela sentiu-se idiota. Está ali, em uma poltrona confortável e bonita, pagando para uma pessoa lhe ouvir. Sem nem mesmo ela, dona de seus sentimentos, era capaz de se entender, será que outra pessoa conseguiria?
- Eu.... - começou ela, e um breve pigarro grudou em sua garganta.
Ele continuou esperando, paciente, calmo, como se tivesse todo dia ali. 
- Eu... sinto que preciso de novos sonhos... - deixou-lhe a voz morrer... 
- O que te impede? - questionou ele.

A pergunta a atingiu como um soco, na boca, no estômago, no coração. Ele fora direto demais em tocar-lhe as amarras. 

Ela não sabia o que responder. Talvez não queria? Se respondesse seria a confissão para si mesma? A pergunta fez com que ela viajasse no tempo, para uma época diference, lugares diferentes e pessoas diferentes, que mesmo depois de terem partido pareciam que ainda lhe acompanhavam sempre, atribuindo-lhe um peso que não era seu. 

Não sabia quanto tempo ficou ali, fazendo aquela viagem no tempo e no espaço, sem ao menos sair do lugar. Poderia ter se passado segundos ou minutos e ele ainda a aguardava, pacientemente, que fizesse todo este exercício mental. O máximo que ouviu foi o tic-tac do relógio.. Conseguiu sentir emergindo de dentro de si uma sensação nova. Seria entusiasmo? Não sabia, ainda não tinha nome, mas ela apenas sabia que era boa. Descobriu então a razão de estar ali... ela abriu os olhos, e o encarou. Ela precisava de libertar. 

Divagações contemporâneas

Esses dias uma certa frase me despertou a atenção: "de bons de briga o mundo está cheio, o que falta é gente cheia de amor". Nenhuma outra frase me fez tanto sentindo para definir os dias de hoje. 
As pessoas  estão cada vez mais intolerantes umas com as outras, sejam devido seus próprios problemas ou simplesmente pelo gesto e costume de acusar o outro. 
Talvez se o erro ou o pecado do outro for maior que o meu, então minha pena não precisa ser tão rigorosa. E assim segue um mar de pessoas acusando umas às outras, como menciona a frase, sendo bons de briga mas fracos no quesito amor. 
Ocorre que o sol é para todos e apenas os egoístas acham que seu lugar no mundo será preservado se o outro for derrotado. Grande tolice! Ninguém é melhor do que ninguém, existem apenas pessoas diferentes. 

Seremos mais reconhecidos e queridos por nossa simpatia do que nossa falsa sensação de perfeição. Não será sendo perfeitos que seremos mais amados por nossos pais, nossos cônjuges ou as pessoas que convivem a nossa volta. Isso é uma doce enganação que traz a amarga sensação de sofrimento com os próprios erros e intolerância com os dos outros. Acabamos nos esquecendo que antes de tudo somos seres humanos e sujeitos a falhas e nem mesmo Jesus Cristo agradou a todos. Mas podemos nos inspirar nos passos dele, ao invés de atirarmos pedras nos outros podemos estender as mãos. Ser melhores no amor do que em brigas.

19 dezembro 2016

O amor

Muitos foram os que já tentaram definir o amor. Em milênios de vida humana nenhum ser foi capaz de definir essa palavra. Talvez porque ela não seja uma palavra apenas, mas um sentimento, um feeling. Mais ainda por esse sentimento ser subjetivo. Subjetivo porque cada pessoa faz uma ideia sobre o amor. Alguns acham que amor é quando outra pessoa é boa pra ele, outros acreditam que amor é sentir o coração disparar quando vê a pessoa.
E o bendito do amor torna-se mais subjetivo ainda quando se conclui que ele é a soma de tudo isso... bondade, sensações, altruísmo, etc, etc.
O amor pode se manifestar de diversas formas. Cada cultura tem sua forma de manifestar o amor. Esse sentimento está incumbido em TODAS as crenças, mas a forma com que ele se manifesta pode ser de diversas formas.
Muitos poetas e escritores se aventuraram a escrever sobre o assunto... assim temos o amor romântico, amor platônico, amor de mãe, amor erótico, enfim... isso tudo porque o amor não pode ser traduzido em uma equação matemática. A matéria de exatas pode ser bem interessante justamente por ser exata. Ser aquilo e pronto acabou, sem margens para dúvidas... mas o contrário também tem sua beleza... que graça tem limitar tudo em uma equação? Sem margem para mudanças ou subjetivismo. Não precisamos ser (e nunca seremos) a mesma coisa do início ao fim.
E aí que entra a beleza do amor... a impossibilidade de definição visto que é uma matéria tão vasta que cabe diversas perspectivas.
Já que muitos ousaram descrever sobre o amor, hoje me ocorreu uma ideia sobre o que poderia ser - em partes, ou uma das inúmeras faces - do amor. Talvez o antônimo do amor seja o egoísmo... ou talvez o egoísmo seja só algo que ajude a definir o amor.
Amar é a capacidade de deixar o egoísmo de lado. Abrir mão de algo só seu e dividi-lo. Dividir a vida, o quarto, as contas, enfim... talvez o amor seja quando duas pessoas conseguem anular seu próprio egoísmo na mesma proporção. A partir de quanto um é mais egoísta que o outro a relação (equação?) começa a ficar desequilibrada.
Porém há aqueles que conseguem doar muito mais que o outro. Quer dizer que um ama mais? Nem sempre... é só que esse casal conseguiu encontrar a medida certa do equilíbrio para a relação ( e não importa quem dá mais e quem dá menos).
A única coisa que sabemos sobre o amor é que ele é diferente para cada um. Você vai amar diversas pessoas de formas e por motivos diferentes.

Nesse texto usei muito a linguagem do “se” e do talvez, porque quem tem certeza de algo nessa vida? Talvez, daqui um tempo eu releia tudo isso que eu mesma escrevi e pense “que baboseira!”. Por que isso, isso é a subjetividade de ser humano. 

Get Old

Eu não acreditava no que as pessoas me diziam sobre ficar velho. Ouvia os mais velhos dizendo “não tenho pique mais para isso” e me pegava pensando “não serei este tipo de pessoa”. Sempre fui animada, dotada de gás energia própria que me motivava. Acreditava que a juventude vinha de dentro e que se quiséssemos poderíamos nos manter sempre jovens.
Ainda acredito nisso, porém não com tanta certeza como antes. Se quisermos podemos nos manter jovens, pensamentos atualizados, manter o bom humor a esperança sempre de que o futuro será melhor. Pra isso servem os livros, os filmes, os nossos hobbies que nos renovam e dão novo folego. O segredo é não esquecer de si mesmo, fazer agrados próprios e não sucumbir apenas em realizar as obrigações do dia a dia.
Mas o fato é que cá estou eu, quase aos trinta – bastante jovem ainda, eu sei – porém uma pessoa bem diferente daquela que eu era na casa dos quase vinte.
O folego não é o mesmo. A disposição não é mais a mesma. Os interesses, principalmente estes, estão bem diferentes. Aos vinte estamos ávidos em viver, com sede de novas descobertas. Aos trinta, ainda temos um pouco disso, mas não é qualquer matéria que te empolga o suficiente para te convencer sair de casa de pronto. Antes, um “vamos” era o suficiente, agora... Ah, agora é tanta coisa... preciso fazer isso, fazer aquilo, estou cansado, depois eu vou...
É meu amigo, hoje acredito nos mais velhos. Acredito que a velhice vai chegando de mansinho tomando conta da sua vida, da sua mente e expulsando sua juventude sem você sequer perceber.
Falando assim isso pode parecer ruim... mas a verdade é que também tem sua parte boa. Com a energia reduzida você aprende a economiza-la, ser seletivo, ter foco e a destina-la a aquilo que é realmente do seu interesse. Melhor investir naquilo que nos vai dar um retorno, ao invés de sair por ai querendo tudo, experimentando tudo.
O fato é que a velhice não é ruim se você aprende a aceita-la e lidar com ela. Não me refiro a se conformar ou se sucumbir, mas sim aprender a caminhar com ela. Uma pessoa pode viver uma experiência aos 20 anos, aos 30, ou aos 40, 50... e cada vez que vive-la, vai experimenta-la de forma diferente.
Assim é a velhice, com ela chega a maturidade (madura-idade). A velhice não te impede de desfrutar a vida, só fará com que você o faça de maneira diferente.

E se você, assim como eu, pesava que não ia ser acuminado por ela, Ah meu amigo... com certeza um dia você chega lá.